quarta-feira, 29 de outubro de 2014

                    O FOFOQUEIRO


“Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o SENHOR.” (Levítico 19:16)

“-Mulher tu não sabe qual é a mais nova sobre fulaninha?!”. Você , assim como eu, já deve ter presenciado ou mesmo dito tal frase ou algo parecido. Quando isto acontecer, cuidado, porque aí vem verdadeiros tiros de metralhadora!
          O livro de Levítico possui como temas centrais a Presença do Senhor, a Santidade que as pessoas deveriam ter para estar na sua presença e a Expiação; que substituiria às vezes em que as pessoas não conseguissem se manter fiéis. A passagem acima mencionada está inserida no bloco de 17 a 27 que cuida da santidade prática que o povo de Deus deveria possuir. Especificamente, o capítulo 19 vai tratar dessa santidade na relação com o próximo. Como prediz Hamilton[1]: “De maneira básica, o capítulo 19 é uma coletânea de leis e rituais morais”.
             O padrão ideal de justiça divina chega às minúcias, ao que nós entendemos hoje como injúria e difamação, assim como relembra o 9° mandamento: “Não dirás falso testemunho” (Êxodo 20:16).  No verso de Levítico, também traduzida como “calúnia” (Jr 6:28, Ez 22:9), a palavra para “mexeriqueiro” remonta o acusar alguém falsamente.
          A calúnia é um persistente causador de intrigas, confusões e até mesmo mortes. O que o próprio verso parece entender quando limita o atentado à vida, sendo esta uma consequência natural de uma língua que metralha os ouvidos com balas de destruição.
O sábio Salomão foi exaustivo com relação ao uso e poder da língua. Falou por exemplo que “alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina ( Provérbios 12:18). De fato, conhecemos ou (pior) somos pessoas cuja tagarelice é como pontas de espada.
Se você nunca tocou ou sentiu a ponta de uma espada, tente a ponta de uma faca. Pegue agora uma faca e tente apertá-la nos dedos ou na barriga (não se empolgue pra não precisar chamar o SAMU!). Caso não tenha coragem com uma faca (esperto ou medroso?!), pelo menos imagine a dor fina de uma agulha penetrando a sua mão ou uma lasca fina de madeira incomodando o seu pé... Imaginou? Assim sou eu, você ou aquele que fofoca.
Usemos nossas palavras para medicina, cura e alívio das pessoas. Jamais para metralhá-las, perfurando sua imagem feita à semelhança de Deus.




[1] HAMILTON, Victor P. - Manual do Pentateuco,- Rio de Janeiro:  CPAD, 2010, p.332.

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