Você já deve
ter assistido o desenho do Papa-léguas e o Coiote. Nele o Coiote caça com toda
avidez e inteligência o esperto Papa-Léguas. Mas sempre quando o Coiote está
prestes a alcança-lo o que acontece? Muitas vezes ele para na beira do abismo e
deixa o Coiote suspenso no ar, sem base nem chão, caindo sozinho. É exatamente
isso que o Princípio da não-contradição pode fazer com os relativistas dos
nossos dias. Assim que eles vierem querendo destruir as verdades absolutas,
deixaremos eles sem base, caindo na própria armadilha.
A tática do
Papa-léguas é o processo de confrontar uma afirmação falsa em si mesma com ela
própria. A tática expõe a fragilidade dos argumentos relativistas. Vamos à
prática.
É um dia
ensolarado no sertão baiano e você chega alegre e sorridente na faculdade
cantarolando a música cantada sábado no culto de jovens: “Pela Cruz me salvo
gentilmente me atraiu e eu quebrantado o seu amor...” As pessoas ao redor olham
torto para você. Mas dessa vez não porque é crente é porque sua voz é ruim
mesmo!!
Até que lá
vem o mestre e seu aluno babão. O professor chama a classe para entrar e começa
a aula. -Como aprendi lá na universidade “num sei das quanta” onde fiz meu
doutorado, toda verdade é relativa, concordam? Todo mundo balança a cabeça
feito lagartixa, menos você claro.Você levanta
a mão. O professor já sabe que você é crente, (assim todos nós esperamos depois
de um ano na faculdade,) e já olha para você com cara de poucas palavras, mas
com ar de superioridade. Você, mestre na arte do papa-léguas está afiado.
-Professor, o
senhor disse que toda verdade é relativa, certo? – Claro, responde ele. Então,
essa verdade é relativa? -Que verdade? – A verdade que toda verdade é relativa.
Ele titubeia – Sim, perái, como assim? -Fácil professor. Se toda verdade é
relativa eu não preciso acreditar nessa verdade porque ela também é relativa.
A sala
silencia. Os grilos chilreiam lá fora. O colega do lado explode a bola de
chiclete. O professor rebate – Não, espere, não foi isso que eu quis dizer. Eu
quero dizer que não existem absolutos. Mas você continua nocauteando. –Mestre,
você está absolutamente certo que não existem absolutos? – Claro, quer dizer,
espere, você está colocando palavras na minha boca. Eu só estou querendo dizer
que o que é verdade para você, não é verdade pra mim. –Professor isso que o
senhor está dizendo, que o que é verdade para você não é verdade pra mim, é
verdade apenas para você ou para todo mundo?
Talvez a
maioria da classe ficou confusa agora. Mas alguns perceberam. O professor caiu
na rede que ele tinha construído para pegar você. Como Hamã, morto depois de fazer
uma forca para seu inimigo Mordecai, lá no livro de Esther, seu mestre doutor
morreu enforcado na própria forca que tinha construído para você.

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