quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A TÁTICA DO PAPA-LÉGUAS

  



Você já deve ter assistido o desenho do Papa-léguas e o Coiote. Nele o Coiote caça com toda avidez e inteligência o esperto Papa-Léguas. Mas sempre quando o Coiote está prestes a alcança-lo o que acontece? Muitas vezes ele para na beira do abismo e deixa o Coiote suspenso no ar, sem base nem chão, caindo sozinho. É exatamente isso que o Princípio da não-contradição pode fazer com os relativistas dos nossos dias. Assim que eles vierem querendo destruir as verdades absolutas, deixaremos eles sem base, caindo na própria armadilha. 

A tática do Papa-léguas é o processo de confrontar uma afirmação falsa em si mesma com ela própria. A tática expõe a fragilidade dos argumentos relativistas. Vamos à prática.
É um dia ensolarado no sertão baiano e você chega alegre e sorridente na faculdade cantarolando a música cantada sábado no culto de jovens: “Pela Cruz me salvo gentilmente me atraiu e eu quebrantado o seu amor...” As pessoas ao redor olham torto para você. Mas dessa vez não porque é crente é porque sua voz é ruim mesmo!!

Até que lá vem o mestre e seu aluno babão. O professor chama a classe para entrar e começa a aula. -Como aprendi lá na universidade “num sei das quanta” onde fiz meu doutorado, toda verdade é relativa, concordam? Todo mundo balança a cabeça feito lagartixa, menos você claro.Você levanta a mão. O professor já sabe que você é crente, (assim todos nós esperamos depois de um ano na faculdade,) e já olha para você com cara de poucas palavras, mas com ar de superioridade. Você, mestre na arte do papa-léguas está afiado.

-Professor, o senhor disse que toda verdade é relativa, certo? – Claro, responde ele. Então, essa verdade é relativa? -Que verdade? – A verdade que toda verdade é relativa. Ele titubeia – Sim, perái, como assim? -Fácil professor. Se toda verdade é relativa eu não preciso acreditar nessa verdade porque ela também é relativa.

A sala silencia. Os grilos chilreiam lá fora. O colega do lado explode a bola de chiclete. O professor rebate – Não, espere, não foi isso que eu quis dizer. Eu quero dizer que não existem absolutos. Mas você continua nocauteando. –Mestre, você está absolutamente certo que não existem absolutos? – Claro, quer dizer, espere, você está colocando palavras na minha boca. Eu só estou querendo dizer que o que é verdade para você, não é verdade pra mim. –Professor isso que o senhor está dizendo, que o que é verdade para você não é verdade pra mim, é verdade apenas para você ou para todo mundo?

Talvez a maioria da classe ficou confusa agora. Mas alguns perceberam. O professor caiu na rede que ele tinha construído para pegar você. Como Hamã, morto depois de fazer uma forca para seu inimigo Mordecai, lá no livro de Esther, seu mestre doutor morreu enforcado na própria forca que tinha construído para você. 






[1] GEISLER, Normam L. – Não tenho fé suficiente para ser ateu – São Paulo: Editora Vida, 2006.

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