segunda-feira, 3 de novembro de 2014

OLHA ALI O ALEIJADO!!!



Viajando pelas vias entre Crato e Sousa, vejo coisas inusitadas. Em Barbalha percebi um deficiente físico que mancava de uma perna, rodeando-a de dentro pra fora. Logo o mesmo questionamento dos discípulos a Jesus veio a minha mente: Por quê? A resposta de Jesus muitas vezes insiste em não satisfazer o nosso coração – “Foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9:3c) . Talvez, lá no íntimo, o que gostaríamos de dizer era: - Não é com você, nem com seu filho!

Mas, entendendo deficiências físicas como limitações, até que ponto elas são maiores que as limitações que todos nós temos em muitas áreas? Aquele deficiente não pôde brincar de bola de modo satisfatório com seus amigos. Porém eu também nunca pude jogar voleibol ou basquete direito do alto dos meus 1.58 metros de altura.

Tive um colega no ensino médio que media mais de 1,80 de altura. No basquete e no vôlei ele  nos chacoteava, mas no futebol... imagine uma trave sem goleiro, era mais ou menos as pernas dele pra nós. Nunca foi tão fácil passar a bola por debaixo das pernas de alguém. Aquele gigante do basquete era no futebol como o bobo da corte.  Sem limites para enterrar uma bola na rede de basquete. Ilimitadamente ruim no futebol.

Outro colega não era só ruim no futebol, era ruim pra viver (já conheceu esse tipo de gente?).  Chato, incoerente nas conversas, autor das piadas mais engraçadas, não por que ríamos das piadas, mas da cara dele. Com respeito à relação com meninas (nessa idade mais maduras e desenroladas), um fiasco. Assim como Rubinho Barrichello tinha dificuldade em chegar em primeiro lugar (ou em segundo ou em quinto) era ele em conversar atrativamente com uma mulher (de 16 anos).

Mas existia um monstro que nós corríamos com medo feito menininhas, enquanto ele, como Clark Kent, o Super-homem, dominava, para delírio das colegas. Existia uma piscina em que quase todos nós quase nos afogávamos (e alguns se afogaram), enquanto ele deslizava tranquilo sobre as águas como Michael Phelps: a matéria de Física. As suas limitações nos relacionamentos eram tão ruins quanto nossas limitações em matérias de cálculo. A sua deficiência com as meninas não era maior que a nossa deficiência com a mulher gorda (massa + força, tem isso né?) da Física.

Nesse mundo de imperfeições não há do que se orgulhar perante o meu próximo. Quanto mais bonito você for, mais frustrado será com as rugas da velhice. A vantagem que tenho sobre alguém hoje poderá ser a causa da minha maior tristeza amanhã. Não se devem contar vantagens sobre ps outros. 
Tudo foi feito para lembrar quanto somos limitados e quanto Deus é ilimitado. Assim, como disse Jesus, vivermos a glorificar o Perfeito. 

Tudo foi feito para glória de Deus. Todos os deficientes de nós. Aleijado é quem não se reconhece deficiente em alguma área da vida. 

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